Blackstone descarta risco de crise financeira com dívidas da infraestrutura de IA
Executivo da gestora afirma que o endividamento bilionário para erguer centros de dados é garantido por gigantes da tecnologia, minimizando temores de analistas.

Em resumo
- Blackstone afirma que o receio de uma crise com dívidas de inteligência artificial é exagerado
- Endividamento bilionário de operadoras de computação em nuvem enfrenta alta de juros e custos de crédito
- Financiamento de centros de dados é sustentado pela demanda contínua de gigantes solventes da tecnologia
A gestora de investimentos Blackstone considera exagerados os temores de que as pesadas dívidas contraídas para erguer a infraestrutura de inteligência artificial possam desencadear uma crise econômica. Em apresentação recente no evento TechCrunch Disrupt, o executivo Jas Khaira, líder da divisão de inteligência artificial da empresa, defendeu que o endividamento do setor conta com o respaldo financeiro de gigantes consolidadas da tecnologia.
Com US$ 1,3 trilhão sob gestão, a companhia direciona vultosos volumes de capital para centros de dados e modelos de ponta. Ao contrário de ciclos tecnológicos anteriores, como o de aplicativos móveis ou de programas em nuvem, a corrida atual por inteligência artificial exige recursos financeiros astronômicos para a compra e o aluguel de processadores gráficos, os chamados chips de computação.
Expansão do crédito e sinais de alerta
Para viabilizar essa infraestrutura, a Blackstone ajudou a criar um modelo de crédito no qual provedores de computação em nuvem especializada, conhecidos como neoclouds, utilizam contratos com clientes e os próprios chips como garantia de pagamento. Esse formato começou em 2023, quando a gestora concedeu um empréstimo de US$ 2,3 bilhões para a CoreWeave, que na época faturava US$ 30 milhões, mas possuía contratos com a Microsoft e apoio da Nvidia. Mais recentemente, a gestora também liderou uma linha de crédito de US$ 10 bilhões para a australiana Firmus e investiu US$ 5 bilhões na Crux AI, além de apoiar a fabricante de chips Etched.
Contudo, o endividamento acelerado levantou preocupações no mercado financeiro. A dívida acumulada pela CoreWeave atingiu cerca de US$ 50 bilhões, gerando dúvidas sobre a validade de usar apenas chips como garantia. Ao mesmo tempo, juros em alta em setembro, inflação persistente e taxas maiores cobradas por financiadores elevaram o custo de capital até mesmo para empresas com caixas robustos, como Meta e Microsoft. Diante desse cenário de maior aversão ao risco, as ações da CoreWeave recuaram mais de 20%, e a Firmus cancelou sua oferta pública de ações avaliada em cerca de US$ 30 bilhões na bolsa da Austrália.
“Esse formato começou em 2023, quando a gestora concedeu um empréstimo de US$ 2,3 bilhões para a CoreWeave, que na época faturava US$ 30 milhões, mas possuía contratos com a Microsoft e apoio da Nvidia.”
Por que importa
Apesar das oscilações, a Blackstone descarta paralelismos com crises financeiras do passado, ressaltando que os centros de dados são contratados por empresas globais de altíssima solvência. Além disso, a busca por processamento continua pressionando a expansão física dos servidores, uma vez que as companhias de inteligência artificial ainda enfrentam escassez de capacidade para rodar seus sistemas.
Em paralelo aos investimentos em infraestrutura física, a gestora criou com a Anthropic e a Hellman & Friedman a Ode, uma iniciativa de US$ 1,5 bilhão que envia engenheiros para implementar inteligência artificial em empresas de sua carteira. Embora reconheça que o retorno financeiro dessa tecnologia para as corporações ainda aconteça de forma irregular, a visão da gestora é de que a demanda por capacidade computacional continuará superando as turbulências temporárias do mercado de crédito.
Perguntas frequentes
Por que o mercado financeiro está preocupado com o setor de IA?
Analistas temem o endividamento acelerado de operadoras de nuvem, como a CoreWeave, somado à alta recente de juros e ao aumento nos custos de empréstimos até mesmo para grandes empresas de tecnologia.
O que a Blackstone argumenta para afastar o risco de uma crise?
A gestora afirma que os centros de dados financiados são contratados por empresas de altíssima solvência, como Microsoft e Meta, e que a demanda por capacidade computacional continua muito alta.
Em números
- US$ 1,3 trilhãosob gestão, a companhia direciona vultosos volumes de capital para centros de dados e
- Esse formato começou em 2023, quando a gestora concedeu um empréstimo deUS$ 2,3 bilhões
- para a CoreWeave, que na época faturavaUS$ 30 milhões
- Mais recentemente, a gestora também liderou uma linha de crédito deUS$ 10 bilhões
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