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OpenAI e Microsoft admitiram criar “doom loop” que ameaça a web

Documentos judiciais revelam que as empresas reconhecem que a coleta massiva de dados para treinar seus modelos pode prejudicar editores e o próprio ecossistema da internet.

Publicado 3 min de leituraCuradoria automatizada
OpenAI e Microsoft admitiram criar “doom loop” que ameaça a web
Foto: Andrew Neel/Pexels

Em resumo

  • Documentos judiciais mostram que OpenAI e Microsoft reconheceram iniciar um “doom loop” que prejudica a web
  • Internamente, as empresas chamaram a coleta massiva de dados de “o maior roubo de trabalho da história humana”
  • O efeito inclui queda de tráfego de referência para publicações e ameaça ao modelo de negócios dos editores

Recentemente, documentos judiciais desenterrados no processo do New York Times contra OpenAI e Microsoft revelam que as duas empresas reconheceram que sua estratégia de IA cria um “doom loop”, um ciclo que prejudica tanto os modelos de linguagem quanto a própria web.

Os próprios registros internos descrevem a raspagem massiva de conteúdo como “o maior roubo de trabalho da história humana” e acusam a defesa da Microsoft de fazer “uma completa zombaria da ideia de uso justo”.

O que aconteceu

O documento inclui declarações do diretor de ciência aplicada da Microsoft, Brent Hecht, que alertou que a coleta de dados para treinar o ChatGPT e o Copilot constitui esse roubo e que a estratégia de conteúdo da empresa já havia iniciado o ciclo prejudicial. A Microsoft, por meio do porta‑voz Alex Haurek, afirmou que esses comentários refletem apenas a perspectiva de um funcionário e não a posição oficial da companhia.

Em outra petição, Jordan Usdan, gerente geral de Estratégia de Dados da Microsoft AI, descreveu Hecht como portador de “visões divergentes, acadêmicas e futuristas” e deixou claro que ele não fala em nome da Microsoft. O processo também traz falas de Satya Nadella, que admitiu que os chatbots substituíram a busca tradicional, reduzindo a necessidade de acessar a fonte original.

“A Microsoft, por meio do porta‑voz Alex Haurek, afirmou que esses comentários refletem apenas a perspectiva de um funcionário e não a posição oficial da companhia.”

Internamente, a Microsoft escreveu que “nossa estratégia de IA já iniciou um ‘doom loop’ que prejudicará o desempenho dos nossos modelos e a web ao mesmo tempo”. A OpenAI reconheceu que o GPT‑4 memoriza grande quantidade de dados e pode reproduzir textos protegidos palavra por palavra, citando exemplos de respostas que reproduziram trechos longos de artigos do Times, Mercury News, Denver Post, LifeHacker e Eurogamer.

Por que importa

O ciclo descrito ameaça a cadeia de suprimentos de conteúdo, pois os editores perdem tráfego de referência – a OpenAI chegou a apontar queda de até 60 % nas visitas provenientes de buscas – e veem seu modelo de negócios enfraquecido quando os usuários obtêm respostas completas sem clicar nos sites originais.

Além do impacto econômico, o reconhecimento de que a coleta massiva viola princípios de uso justo e de remuneração pode intensificar processos judiciais e chamar a atenção de reguladores, que ainda não definiram regras claras para o treinamento de grandes modelos de linguagem com material protegido.

O que observar

  • O julgamento do New York Times contra OpenAI e Microsoft continua em andamento
  • As declarações internas sobre queda de tráfego podem ser usadas como evidência de danos econômicos
  • A Microsoft mantém que as observações de seus executivos não representam posição oficial
  • Reguladores podem pressionar por regras de uso justo no treinamento de IA

Perguntas frequentes

O que é o “doom loop” mencionado nos documentos?

É um ciclo que, segundo as próprias anotações internas, prejudica o desempenho dos modelos de IA e a web ao mesmo tempo.

Como a coleta de dados pelos modelos afeta os editores de notícias?

Os editores perdem tráfego de referência, com a OpenAI apontando queda de até 60 % nas visitas provenientes de buscas, porque os usuários recebem respostas completas sem precisar clicar nos sites originais.

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