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Governo Trump afrouxa regras ambientais para acelerar data centers de IA

Ex-funcionários da agência ambiental dos Estados Unidos alertam que cortes em normas e avanço de combustíveis fósseis ampliam riscos à saúde pública.

Publicado 3 min de leituraCuradoria automatizada
Governo Trump afrouxa regras ambientais para acelerar data centers de IA
Foto: Brett Sayles/Pexels

Em resumo

  • Ex-funcionários da EPA alertam que o afrouxamento de normas para erguer data centers amplia riscos à saúde
  • Relatório aponta 30 ações federais desde janeiro de 2025 que facilitam projetos poluentes e enfraquecem controles
  • Estudo projeta até 1.300 mortes prematuras e US$ 20 bilhões em custos de saúde até 2028

Ex-funcionários da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, alertaram que o governo de Donald Trump está enfraquecendo regras ecológicas para acelerar a construção de data centers voltados à inteligência artificial. De acordo com um relatório divulgado pela organização independente Environmental Protection Network, formada por ex-servidores do órgão, a postura federal eleva os riscos à saúde da população.

A iniciativa da administração federal ocorre em meio ao plano de transformar o país na capital mundial da inteligência artificial por meio da desregulamentação, meta defendida pelo administrador da EPA, Lee Zeldin. Para cumprir esse objetivo, o governo aplicou cortes de orçamento e pessoal na agência, além de revogar normas e impor barreiras a projetos de energia renovável.

Ações federais e impactos na saúde

O documento elaborado pelos ex-funcionários lista 30 medidas federais adotadas desde janeiro de 2025 que aumentam o risco sanitário decorrente da poluição das centrais de processamento. Desse total, 17 mudanças regulatórias citam especificamente a inteligência artificial ou direcionam normas a data centers. As medidas flexibilizam limites de emissão de poluentes, concedem isenções a usinas de energia e propõem simplificar leis históricas sobre ar e água limpos.

Para garantir eletricidade contínua a essas instalações com alta demanda computacional, a administração tem incentivado fontes fósseis, o que engloba a instalação de turbinas a gás locais e termelétricas dedicadas. O avanço na fabricação de semicondutores necessários para os novos modelos computacionais também estimula o uso de substâncias que não se decompõem com facilidade na natureza e no corpo humano. Segundo a médica pediatra e ex-administradora assistente da EPA, Lynn Goldman, essa contaminação atinge mesmo cidadãos que vivem distantes das instalações tecnológicas.

“O documento elaborado pelos ex-funcionários lista 30 medidas federais adotadas desde janeiro de 2025 que aumentam o risco sanitário decorrente da poluição das centrais de processamento.”

O relatório menciona uma pesquisa desenvolvida pela UC Riverside, pela Caltech e pelo Rochester Institute of Technology. O estudo aponta que a poluição do ar ligada à infraestrutura de inteligência artificial pode provocar até 1.300 mortes prematuras e gerar mais de US$ 20 bilhões em despesas com saúde pública até 2028.

Por que importa

As mudanças mostram um reposicionamento da autoridade ambiental, que passa a priorizar o cronograma de expansão da infraestrutura corporativa antes das restrições a produtos químicos perigosos. Questionada sobre as críticas, a porta-voz da EPA, Cora Mandy, respondeu que o órgão apenas restabeleceu a interpretação adequada da lei de ar limpo após anos de intervenções excessivas de administrações anteriores, equilibrando a proteção ambiental com a liderança do país no setor de inteligência artificial.

Especialistas da entidade ambiental defendem que esse cenário não é compulsório e pedem a criação de um compromisso formal de proteção à saúde pública. A recomendação prevê monitorar os níveis de poluição provocados pelo crescimento do setor e exigir transparência sobre os impactos reais antes que o avanço tecnológico sobrecarregue os custos de saúde das comunidades.

Perguntas frequentes

Quantas medidas federais ligadas a data centers foram identificadas no relatório?

O documento da Environmental Protection Network identificou 30 ações federais desde janeiro de 2025 que agravam os riscos de poluição, das quais 17 tratam diretamente de inteligência artificial ou data centers.

Qual é a estimativa de impacto da poluição da IA na saúde pública?

Uma pesquisa acadêmica citada pelos ex-funcionários calcula que a poluição do ar ligada à inteligência artificial pode causar até 1.300 mortes prematuras e mais de US$ 20 bilhões em custos com saúde até 2028.

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